Saturday, July 09, 2005
Cara amiga goiania,
foi um prazer te conhecer assim brevemente, sem um pra quê, sem deixar raízes, nem saudades por essa terra que conitnua desconhecida. Foi meio relâmpago minha estada. Não deu pra te conhecer em largura e profundidade. De ti não trouxe muitas lembranças. Trouxe algumas decepções na bagagem que se descortinaram tão seca e friamente para mim que acho que teu clima as influenciou na forma de se mostrar. Terra seca e fria. Terra distante, tão distante que quase que nem existe, quase que nem é real quando se está aqui nesta cidade que nunca senti tão úmida quanto agora. Não reencontrei Cora Coralina por aí. Não conheci os tão famosos becos de goiás. Não deixei por lá minha imprudência. Mesmo que eu tenha descoberto que minha imprudência tem algo de ordinário. Extraordinariamente ela não se manifesta. Nesses ares sem água, nesse ar de não-chuva me torno a pessoa mais prudente que conheço. A cara amiga imrpudência ficou esquecida em casa, graças a deus! Por que ela não é tão cara amiga assim. Agora estou de volta e digo que encontrei a casa em ordem, a vida meio que volta ao normal na medida do impossível. Nas ruas desta minha cidade úmida e quente, tão minha mas tão minha que sem ela me torno outra, reencontrei os fantamas que estavam no baú já desbotados de tanto tempo guardados, os sentimentos com cheiro de mofo, as velhas máscaras agora roídas por ratos, nestas ruas reencontrei minha pequena vidinha indo nos conformes, sem alteração de temperatura ou pressão e aí não tive dúvidas: dei uma carreira e entrei nos trilhos, senão perigava eu perder o bonde de minha vida. E sou controladora demais pra deixar minha vida por aí desgovernada.