Friday, December 24, 2004
Caro Amigo Chico,
"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios no ar... "
Chico
Ah, amigo Chico, tanto me faz essa vontade de me chover. Ah, amigo Chico, queria eu, nesta noite, lavar tudo e tudo limpo com minha alma liquefeita, poder sujar tudo com minhas palavras sorrateiras. Ah, amigo Chico, tanto que eu podia ter dito, ter vivido, consentido, tanto que eu podia ter deixado para trás, mas amigo Chico, eu que não sou de "se", que sou de "será", queria tanto, mas tanto uma noite de amor que perdi. E hoje mato minhas saudades em linhas perpétuas, perpetuadas de doçura. Mas deixe estar que é o ritmo de um amor-bolero que me espera ao lado de Deus sentado na sala de estar escrevendo uma carta para Débora. Deixe estar que toda a poesia que nunca escrevi estará contida na inexistência casual de um sonho sem piedades de si e numa perfeita razão para abandonar vazios. Ah, amigo Chico, se Diogo me prometer paciência poderei até parar com essa conversa de queria-ser-como-você. Ah não, amigo Chico, com todas as cores com que pintei minha alma neste ano não largarei minhas bandeiras para brincar de ser feliz. Ser-feliz é algo por demais sério quando se trata de afirmação. Caro amigo Chico, descobertas à parte, queria bem o azul de teus olhos para desenhar.